Algum tempo atrás, mas não tanto tempo quanto vc possa imaginar, um barquinho viajava tranquilo e calmo pelo oceano. Nenhuma terra a vista: apenas um horizonte azul e monótono o rodeava. De vez em quando, ondas agitavam o mar – algumas bem grandes - e balançavam as estruturas do frágil barquinho. Mas elas logo iam embora, e ele seguia a deslizar pelo oceano. Um pouco danificado, isso é verdade, mas ele sempre seguia.
E num dia qualquer, o barquinho avistou algo diferente no horizonte. Seria uma praia??? A princípio, teve medo. Mas, tomado pela curiosidade, decidiu se aproximar. E logo percebeu que não havia somente uma praia. Havia também uma pequena ponte de madeira, que começava na areia e ia terminar dentro do mar. Ele já tinha ouvido falar naquilo: era um porto. E no porto, havia uma corda comprida amarrada em um dos frágeis pedaços de madeira que sustentavam a ponte sobre o mar. A medida que chegava próximo a praia, a água ia ficando mais quente e o oceano menos profundo, até que o barquinho percebeu a terra debaixo de si pela primeira vez. Então resolveu atracar naquele porto. Ali sentiu-se muito bem: águas quentes, solo firme, praia bonita. Já não queria voltar para a solidão do alto-mar. Então amarrou-se ao porto com a corda que lá havia, para que a maré e as ondas jamais o tirassem de lá. Ele só não percebeu que aquela corda era muito comprida… comprida demais.
Então, vieram tempestades e furacões, e, inevitavelmente, o barquinho foi sendo puxado para águas mais profundas. Tentou voltar, mas os ventos eram fortes, e o barquinho era tão frágil! Quando menos esperou, estava de volta ao mar, bem distante do porto. Já não sentia o solo debaixo de si, nem o calor de suas águas rasas. Não conseguia sequer vê-lo. Mas continuava amarrado a ele.



